domingo, 25 de janeiro de 2009

O abismo.



Sento-me. Cruzo as pernas. Mais tarde acabo por cruzar os braços também.


Respiro fundo, fecho os olhos e vejo-te.
Respiro fundo novamente, e a custo de não
te ver torno a abrir os olhos,
a custo.. e ainda com uma réstia de esperança..
olho em volta, em busca de ti.



Estou sozinha aqui. E estou aqui por escolha minha, ou pelo menos, por escolha de um pedaço meu. De lá cima, algumas caras familiares vigiam-me, e por várias vezes me estendem uma escada, mas eu ainda não estou pronta para subir. Quando subir, vai ser por esforço meu, escalada minha..



Recordo-me do dia em que te
perguntei se me podia atirar do abismo.
Se lá estarias à minha espera..
Se era seguro.
Se lá estarias para me abraçar e dizer que já passou..
Se a queda não era grande.
Se lá estarias para me amparar a queda..
Se não me iria magoar.
Se lá ficarias comigo...

Só mais tarde me dei conta, que bem antes de te perguntar eu já me tinha atirado. Foi de lá de baixo que te fiz a pergunta, sem nunca me aperceber que estava a olhar para ti de baixo para cima, e ainda a iludir-me, a achar que estávamos lado a lado.

Parámos de dançar ao mesmo ritmo,
de cantar as mesmas musicas
e de dançar ao som da mesma balada.
Deixamos de ser nós, e passamos a tu e eu.
Sem eu nunca me aperceber.


Atirei-me conscientemente dos perigos, dores, e apertos no coração.
Mas sempre a achar que tu tinhas o remédio para tudo isso. E tinhas.. E tens ... só já não está disponível para mim. Continuas a ter os olhos que me fazem esquecer que existem perigos. Os beijos que acalmam (e terminam) qualquer dor.. e os abraços, os abraços que dissolvem qualquer aperto no coração.



Ando (ainda) à deriva,
em busca de ti.
Vejo inúmeras costas
mas nenhuma é suficientemente boa..
Tem o mar demasiado frio, e a areia demasiado quente.
Ou o contrário.. Não é bem isso que elas tem, ou não tem..
O problema é que...
Nenhuma delas és tu..



Continuas a ser a minha costa.

Continuas a saber ao salgado do mar,
ao quente das brisas marítimas,
à lareira no inverno,
a risos a todo o momento.


Por isso, à falta de costa,

eu continuo aqui no fundo do abismo à tua espera, ou então à minha.





1 comentário:

Niu_esi disse...

As vezes tem de se dar um salto de fé, o problema e que as vezes esse salto é para o abismo...

Beijinhos